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Por uma política de manutenção cultural*

*Publicado originalmente no jornal A Gazeta, seção Opinião, de 28 de julho de 2014.

por Duílio Kuster

Entre os editais culturais da Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo lançados em 2013, destacou-se o inédito edital para manutenção de companhias e grupos de teatro e dança. Aquilo que parecia ser o início de uma mudança de rumos na política cultural do estado voltada para as artes cênicas revelou-se uma experiência isolada e efêmera, tendo em vista que o referido edital não foi lançado novamente neste ano.

Apesar de pouco conhecido dos capixabas, os editais que tem por objetivo a manutenção das atividades de grupos artísticos já são comuns há certo tempo em âmbito federal, via Ministério da Cultura; estadual, em estados como Bahia e Rio Grande do Sul e municipal, cujo exemplo mais conhecido é o da cidade de São Paulo. Citemos o caso deste último, só para ficarmos naquela que talvez seja a experiência mais representativa.

O Programa Municipal de Fomento ao Teatro da cidade de São Paulo foi criado em 2002. O edital apresenta duas edições por ano, uma por semestre, em que são selecionados 30 projetos de manutenção a serem desenvolvidos em até dois anos. Os projetos são os mais diversificados possíveis: montagens de espetáculos, apresentações das peças de repertório, cursos de formação para artistas e demais interessados, publicações de livros de temáticas variadas ligadas à arte teatral, realização de festivais, mostras, congressos e seminários, entre outros.

O retorno do investimento realizado para a manutenção dos grupos é visível. Além da evolução artística dos coletivos culturais, os grupos passam a funcionar como verdadeiros centros de irradiação cultural, gerando trabalho, conhecimento e lazer para as comunidades do entorno. Muitas vezes localizadas nas regiões periféricas da cidade, as sedes dos grupos contribuem ainda para a revitalização de áreas abandonas pelo poder público e desprezadas por grande parte da população.

O valor a ser fornecido não é pré-definido pelo edital e cada grupo possui a liberdade de requisitar a quantia que considera necessária para a realização das ações culturais programadas. Um rápido olhar na lista de contemplados disponível no site da prefeitura de São Paulo nos permite a impressionante constatação de que os valores solicitados para realização de diversas ações não são maiores do que o cachê para uma única apresentação cobrado por muitos grupos artísticos de maior expressão nacional.

O que está em jogo, portanto, é uma necessária reflexão por parte do Estado sobre qual noção de política cultural utiliza para balizar as suas ações neste campo. Fica aqui o apelo para a retomada do importante edital de manutenção de grupos por parte de nossa

Secretaria de Cultura que, em longo prazo, poderia revolucionar a arte cênica praticada no Espírito Santo, bem como proporcionar uma aplicação mais razoável do recurso público.

Duílio Kuster é ator e membro-fundador da Folgazões Artes Cênicas

 

O palco do Carlos Gomes recebe “O Outro”

O_Outro_Fest-CidadeemCena2014O Outro, espetáculo da Folgazões dirigido por Chico Pelúcio (Grupo Galpão – MG), se apresenta na segunda (12 de maio) dentro da programação do Festival Cidade em Cena promovido pela Espírito Cultura e Entretenimento.

Produzido inicialmente para espaços alternativos, esta será a primeira vez que se apresenta num palco italiano. Mas a proximidade com os personagens cativantes dessa história não será perdida, para os que querem ver bem de perto, o grupo irá colocar cadeiras no palco para que o público não perca nenhuma nuance da interpretação dos atores Duílio Kuster (Homem) e Foca Magalhães (Lúcifer).

A peça mostra um homem perturbado por seus questionamentos sobre a vida, infeliz diante de sua finitude. Ele trilha um caminho difícil até cruzar com uma figura misteriosa que indica onde encontrar as respostas que procura. A partir desse momento ele se vê num jogo de poder e sedução onde o vencedor e o vencido ganham o que desejam.

A montagem discute a vida humana a partir do mito da existência de Deus e o Diabo. Usando uma linguagem realista, o grupo traz para a cena elementos diferentes dos trabalhados até então. Uma nova estética, mais intimista, e que não bebe das fontes populares, apesar do tema ser popular.

Com tradição em teatro de rua, a Folgazões investe em sua segunda peça para ambientes fechados, um espetáculo para espaços alternativos adaptável para o palco italiano. É uma inquietação do grupo por novos caminhos, por ampliar a experiência de até então. O processo de criação da peça O Outro consistiu de um intercâmbio do grupo capixaba com o ator e diretor Chico Pelúcio, do Grupo Galpão, de Belo Horizonte (MG), uma das mais importantes companhias de teatro do país e uma das mais conhecidas fora do Brasil, como Europa e América do Norte. O diretor, durante diversos encontros, reuniões e ensaios, dirigiu o grupo e compartilhou experiências. “Trouxemos a experiência de 32 anos do Galpão, promovendo este intercâmbio ES-MG, e isso foi muito importante para o crescimento e aprendizado da Folgazões”, comenta Chico.

Esta é a segunda adaptação do conto Lúcifer, da escritora e filósofa mineira, Guiomar de Grammont. O espetáculo é uma produção resultante do Edital de Residência Artística 2013 da Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo.

 

O Outro

Festival Cidade em Cena

Local: Theatro Carlos Gomes

Data: 12 de maio 2014

Hora: 20h

Ingressos: Ingresso.com ou na bilheteria do teatro a partir das 14h. Inteira: R$20; Meia: R$10.

Ensaio aberto da nova montagem da Folgazões

Assista ao Ensaio Aberto que foi transmitido pela internet.

 

A Folgazões têm o prazer de convidar o público para o primeiro ensaio aberto do processo de pesquisa de sua nova montagem “O Outro” (nome provisório) – estreia marcada para meados de março de 2014.

O objetivo do evento é apresentar algumas cenas que foram desenvolvidas, ainda em estado bruto, para colher impressões do público e direcionar a continuidade do processo de pesquisa e montagem.

A montagem é baseada no conto Lúcifer de Guiomar de Grammont e tem a direção/orientação de Chico Pelúcio.

Este projeto está sendo realizado com recurso do Funcultura através do Edital de Residência Artística 2013 da Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo.

Para participar é necessário pré-inscrição gratuita (formulário abaixo ou pelo email: producaofolgazoes@gmail.com). O público será de até 40 participantes devido a limitação do espaço da sede.

Quem não puder estar presente mas quer muito acompanhar e participar desta etapa do processo de pesquisa e montagem, poderá acompanhar o Ensaio Aberto ao vivo pela internet no canal da Folgazões no Youtube a partir das 19h de sexta (13/12).

PROGRAMAÇÃO:

19:00h – Início
19:05h – Apresentação das cenas
19:50h – Apresentação do grupo e diretor
20:05h – Fala do grupo sobre o espetáculo
20:20h – Abertura para perguntas e comentários do público
20:50h – Considerações finais
21:00h – Encerramento
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