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Histórias do Teatro Brasileiro

seminario historia teatro brasileiro SESC 2017Foram disponibilizados para consulta no YouTube e no site do Palco Giratório 2017 do SESC os vídeos e textos referentes às apresentações do seminário “Histórias do Teatro Brasileiro” que contou com representantes de todas regiões do país e buscou difundir as tradições, histórias e historiografias dos movimentos teatrais brasileiros.
Nosso querido Folgazão, Duílio Kuster Cid, foi o representante do Espírito Santo.

Confirma um pouco do que foi apresentado sobre a história do nosso teatro:

video: https://www.youtube.com/playlist…

texto: http://www.sesc.com.br/…/PalcoGira…/2017/Ensaios+e+Criticas/

Por uma política de manutenção cultural*

*Publicado originalmente no jornal A Gazeta, seção Opinião, de 28 de julho de 2014.

por Duílio Kuster

Entre os editais culturais da Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo lançados em 2013, destacou-se o inédito edital para manutenção de companhias e grupos de teatro e dança. Aquilo que parecia ser o início de uma mudança de rumos na política cultural do estado voltada para as artes cênicas revelou-se uma experiência isolada e efêmera, tendo em vista que o referido edital não foi lançado novamente neste ano.

Apesar de pouco conhecido dos capixabas, os editais que tem por objetivo a manutenção das atividades de grupos artísticos já são comuns há certo tempo em âmbito federal, via Ministério da Cultura; estadual, em estados como Bahia e Rio Grande do Sul e municipal, cujo exemplo mais conhecido é o da cidade de São Paulo. Citemos o caso deste último, só para ficarmos naquela que talvez seja a experiência mais representativa.

O Programa Municipal de Fomento ao Teatro da cidade de São Paulo foi criado em 2002. O edital apresenta duas edições por ano, uma por semestre, em que são selecionados 30 projetos de manutenção a serem desenvolvidos em até dois anos. Os projetos são os mais diversificados possíveis: montagens de espetáculos, apresentações das peças de repertório, cursos de formação para artistas e demais interessados, publicações de livros de temáticas variadas ligadas à arte teatral, realização de festivais, mostras, congressos e seminários, entre outros.

O retorno do investimento realizado para a manutenção dos grupos é visível. Além da evolução artística dos coletivos culturais, os grupos passam a funcionar como verdadeiros centros de irradiação cultural, gerando trabalho, conhecimento e lazer para as comunidades do entorno. Muitas vezes localizadas nas regiões periféricas da cidade, as sedes dos grupos contribuem ainda para a revitalização de áreas abandonas pelo poder público e desprezadas por grande parte da população.

O valor a ser fornecido não é pré-definido pelo edital e cada grupo possui a liberdade de requisitar a quantia que considera necessária para a realização das ações culturais programadas. Um rápido olhar na lista de contemplados disponível no site da prefeitura de São Paulo nos permite a impressionante constatação de que os valores solicitados para realização de diversas ações não são maiores do que o cachê para uma única apresentação cobrado por muitos grupos artísticos de maior expressão nacional.

O que está em jogo, portanto, é uma necessária reflexão por parte do Estado sobre qual noção de política cultural utiliza para balizar as suas ações neste campo. Fica aqui o apelo para a retomada do importante edital de manutenção de grupos por parte de nossa

Secretaria de Cultura que, em longo prazo, poderia revolucionar a arte cênica praticada no Espírito Santo, bem como proporcionar uma aplicação mais razoável do recurso público.

Duílio Kuster é ator e membro-fundador da Folgazões Artes Cênicas